The Garden Of Emotions é a sequência de um projeto instrumental do músico e professor do Instituto de Artes Eloy Fritsch. Focado em sintetizadores, samplers, computadores e teclados eletrônicos, o trabalho mescla sons orquestrais, corais, eletrônicos e concretos, com temas inspirados no Cosmos. O título do disco, que conta com músicas como Space Station, Lumine Solis e Solar Energy, também dá nome à suíte instrumental composta por seis faixas que inicia o álbum.

Eloy, que além de professor é tecladista do grupo de rock progressivo Apocalypse, foi o primeiro a lançar no Estado um disco totalmente composto e gravado por computador, o Dreams, de 1996. Ele também tem no currículo a menção honrosa do Prêmio Açorianos de Música 2009 e a indicação para melhor álbum e melhor compositor nas edições anteriores do troféu. Em entrevista ao PortoWeb, Fritsch comenta sobre o novo trabalho.

PortoWeb – “The Garden of Emotions” foi inspirado no Cosmos, fale um pouco sobre isso:
Eloy – Em todos os CDs deste projeto de música instrumental com sintetizadores busquei alguma inspiração no Cosmos. Alguns álbuns são mais influenciados pelo espaço como é o caso do CD Space Music de 1998 que foi editado apenas na França, outros são menos influenciados como é o caso do Landscapes. Este novo CD possui temas espaciais como Lumine Solis, Solar Energy, Heaven e Space Station. Mas vai além disso, envolve temas exotéricos e místicos que estão presentes também na suíte de abertura formada por seis movimentos com o mesmo título do CD. Esta suíte torna o trabalho mais conceitual, algo que já havia realizado com prazer nos discos Mythology e Atmosphere.

PW – Quando e como surgiu a idéia para o novo CD?
Eloy – Surgiu quando criei a primeira versão da Suíte The Garden of Emotions. Eu finalizei a primeira versão em 2004 logo após ter feito o CD Landscapes. A suíte foi lançada no CD Edition #5 da gravadora holandesa Groove Unlimited. Após participei com esta mesma versão na coletânea Brasil Instrumental 2006 pela Editora HMP. Em 2008, para o novo CD, resolvi adaptar ela para seis movimentos criando interlúdios e modificando radicalmente a ordem das sessões. Inclui mais material eletrônico e trechos que havia guardado. O resultado foi uma versão estendida da composição que funcionou melhor para o contexto do novo álbum que a versão anterior.

PW – Quando começou a produção desse trabalho?

Eloy – A produção começou quando realizei, no início de 2009, uma audição do que havia composto nos últimos quatro anos. Assim percebi que já havia material para mais um CD. Ainda compus a Beyond the Mountais e a Lumine Solis em 2009. Ao enviar os áudios para o artista plástico Edgar Franco, ele pintou essa linda capa e criou toda a arte visual do novo CD. Uma arte forte que esta em harmonia com o projeto de composição musical.

PW – Como foi o processo de composição?

Eloy – O processo varia conforme a música. Mas normalmente sento ao teclado eletrônico e vou tocando livremente. Preciso estar sintonizado com a energia criativa e tentar transformar em música as minhas emoções e sentimentos. Tudo é muito espontâneo e sem limites para a criação. Utilizo o computador como um estúdio digital no qual vou registrando o momento da criação sem que importantes detalhes sejam esquecidos ou perdidos. No computador também trabalho o arranjo e a construção de texturas, ritmos e organização das sessões. Neste álbum usei o sequenciador MIDI em apenas uma música. Outras foram criadas em tempo real com recursos dos teclados eletrônicos. Eu queria fazer um álbum com temas bem distintos, então a alternância de técnicas de composição e a fusão entre sons eletrônicos sintetizados, samples, percussão e a voz deu um colorido especial ao trabalho.

PW – Quais as diferenças desse trabalho para os anteriores?

Eloy – Meu trabalho anterior foi uma coletânea de dez anos do projeto com sintetizadores chamado Past and Future Sounds (1996-2006) lançado apenas na França. O último álbum de inéditas foi o Landscapes feito em 2003 e lançado em 2005. Então esse novo disco veio com uma energia diferente acumulada em todos esses anos sem lançar um trabalho com sintetizadores. Apesar de produzir com o Apocalypse três álbuns, escrever um livro e fazer o DVD de Música Eletrônica, senti que precisava registrar e lançar mais essas criações para continuar a crescer e colher o feedback desse projeto. Eu tenho uma necessidade de criar e registrar as composições para depois possa ouvi-las e mostrar as pessoas que apreciam música. O nascimento de um novo álbum é algo maravilhoso porque ele reúne toda a energia de um tempo que passou, mas que ficou armazenada naquela produção. Por isso, não só a música, mas toda a concepção do álbum é significativa para mim.

* The Garden Of Emotions pode ser adquirido pela Internet nas gravadoras MUSEA (França), Sonhos & Sons (Minas Gerais) e CD Baby (USA).

13 de outubro, 2009
Site PortoWeb

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